“I don't know anything about it”, e não “I don't know nothing”, mesmo que em português você diga “Não sei nada”. Aqui o foco é a construção da frase inteira, não palavras soltas.
O que você vai aprender
Esta lição reúne erros de estrutura que resistem mesmo em nível avançado, porque não dizem respeito a uma palavra específica, e sim à arquitetura da frase inteira. Para brasileiros, alguns são especialmente traiçoeiros porque o português aceita a construção (duas frases ligadas por vírgula, a dupla negação) ou porque a estrutura do português empurra para o erro (o gerúndio solto no começo da frase).
No inglês padrão, nega-se uma afirmação uma única vez: ou com not/n't + any (“I don't know anything about it.”), ou com uma palavra negativa como nothing, nobody, never (“I know nothing about it.”; correto, mas mais enfático e um pouco mais formal). As duas juntas formam uma dupla negação, que existe em alguns dialetos e num registro bem informal, mas é considerada erro no inglês padrão. Uma frase mais longa pode, claro, ter duas negações, se cada uma pertence à sua própria oração: “I don't like it, and I won't buy it.”
A armadilha do português: em português a dupla negação é obrigatória e correta quando a palavra negativa vem depois do verbo: “Não sei nada”, “Não vi ninguém”, “Não fui a lugar nenhum”. Dá vontade de traduzir “não” por don't e “nada” por nothing: “I don't know nothing”. Mas em inglês, se o not já está lá, as palavras seguintes viram any- (anything, anybody, anywhere, any); sem not, usa-se a palavra negativa sozinha (nothing, nobody, nowhere, no). Dica: quando a palavra negativa vem antes do verbo, o português também usa uma negação só (“Ninguém veio” → “Nobody came”), exatamente como o inglês.
Palavras como because, although, when ou which introduzem uma oração subordinada. Num texto escrito em inglês, uma subordinada não funciona sozinha como frase: ela precisa de uma oração principal: “Because I was tired, I went to bed early.”
Um detalhe importante: numa conversa, uma resposta curta como “Por que você foi embora?” “Porque eu estava cansado.” é totalmente normal nas duas línguas: “Because I was tired.” O fragmento só vira erro num texto escrito, quando fica isolado entre dois pontos finais.
Outro clássico: em português costumamos comentar uma frase inteira com “o que”, e em textos jornalísticos e publicitários isso aparece até separado por ponto (“Ele chegou atrasado. O que ninguém esperava.”). Em inglês se faz o mesmo com “, which ...”, mas só dentro da mesma frase. Se você põe um ponto antes, “Which nobody had expected.” vira um fragment, e esse estilo não é aceito num texto cuidadoso. E um substantivo seguido de uma oração relativa (“Um resultado que ninguém esperava.”) ainda não é uma frase: falta o verbo principal.
Uma construção no começo da frase como “Running down the street” ou “After finishing the report” não tem sujeito próprio: ela se liga automaticamente ao sujeito que vem logo depois da vírgula. Se não for a pessoa que você queria, a imagem fica estranha e muitas vezes involuntariamente cômica: “Running down the street, the bus left” significa, ao pé da letra, que o ônibus estava correndo pela rua.
A boa notícia: o português cuidadoso tem a mesma regra. O gerúndio e o “depois de + infinitivo” no começo da frase devem ter o mesmo sujeito do verbo principal. Só que no português do dia a dia se ouve e se lê o tempo todo “Entrando na sala, as luzes se apagaram” ou “Depois de terminar o relatório, a impressora quebrou”, e quase ninguém repara; em inglês, isso salta aos olhos. Duas soluções: colocar o sujeito certo depois da vírgula (“After finishing the report, I found the printer had broken.”) ou usar uma oração completa com sujeito próprio (“After I finished the report, the printer broke.”).
Na escrita informal em português, é comum juntar duas orações principais com uma vírgula: “Estava chovendo, ficamos em casa.” Em inglês, “It was raining, we stayed inside.” é um comma splice, e isso é considerado erro. Você tem três soluções: vírgula + conjunção (and, but, so, or, yet): “It was raining, so we stayed inside.”; ponto e vírgula: “It was raining; we stayed inside.”; ou ponto final: “It was raining. We stayed inside.”
Cuidado também com “portanto”, “no entanto” e “além disso”: em português, “portanto” e “no entanto” podem ligar duas orações depois de uma vírgula, mas os equivalentes ingleses therefore, however e moreover são advérbios, não conjunções, então “It was late, therefore we went home” continua sendo um comma splice. Correto: “It was late, so we went home.” ou, num estilo mais formal, “It was late; therefore, we went home.” O caso oposto, duas orações principais sem pontuação nenhuma (“It was late we went home”), se chama run-on ou fused sentence, e também é erro.
Nas listas, o português ajuda na ideia, mas não na forma. Para atividades, o português usa infinitivos paralelos: “Gosto de nadar, andar de bicicleta e correr”. Em inglês, o mais natural é usar -ing em tudo: “I like swimming, cycling, and running.” (“I like to swim, cycle, and run” também é paralelo). O erro aparece quando se mistura: uma forma em -ing com um infinitivo com to ou com uma oração (“... and to run”, “... and how to listen”, “... and being organized” ao lado de substantivos).
Um detalhe de pontuação: em português normalmente não se põe vírgula antes do “e” final de uma lista. Em inglês, essa vírgula (serial comma ou Oxford comma) é opcional: muito comum no inglês americano, menos no britânico. As duas formas estão certas; o que importa é a forma paralela dos itens.
Decalque de “Não sei nada”: “não” vira don't e “nada” vira nothing. No inglês padrão não há dupla negação: ou not + anything, ou nothing sozinho.
Decalque de “Não acho as chaves em lugar nenhum”. Depois de can't, o lugar vira any-: anywhere.
Falando, como resposta a uma pergunta com why, está perfeito; mas num texto escrito a subordinada precisa de uma oração principal.
O “O que…” separado por ponto é um recurso comum em textos jornalísticos e publicitários em português, mas em inglês o which precisa ficar na mesma frase.
A construção em -ing se liga ao sujeito logo depois da vírgula, e não era o ônibus que estava correndo.
Decalque de “Estava chovendo, ficamos em casa”. Em inglês, duas frases completas precisam de uma conjunção, de um ponto e vírgula ou de um ponto final.
Em português, “Estava tarde, portanto fomos para casa” está certo, porque “portanto” é conjunção; em inglês, therefore é um advérbio, não uma conjunção. Use so ou, num estilo formal, um ponto e vírgula: “It was late; therefore, we went home.”
Em português, a dupla negação é obrigatória quando a palavra negativa vem depois do verbo: “Não sei nada”, “Não acho minhas chaves em lugar nenhum”, “Ela não tem tempo livre nenhum”
No inglês padrão, nega-se uma vez só. Com not, o resto vira any-: “I don't know anything”, “I can't find my keys anywhere”, “She hasn't got any free time”. Sem not, a palavra negativa aparece sozinha: “I know nothing”, “Nobody came”. Se você traduz “não” por don't E “nada” por nothing, sai “I don't know nothing” ou “I can't find my keys nowhere”, que soam como dialeto ou como erro.
Na escrita informal em português, duas orações principais costumam ser ligadas por vírgula (“O prazo mudou, ajustamos o plano.”), e “portanto” ou “no entanto” aparecem logo depois da vírgula
Em inglês isso é um comma splice: “The deadline moved, we adjusted the plan” precisa de uma conjunção (“..., so we adjusted the plan”), de um ponto e vírgula ou de um ponto final. E atenção: a gramática escolar classifica “portanto” e “no entanto” como conjunções, mas however, therefore e moreover são advérbios em inglês e não ligam duas frases só com uma vírgula. Hábito de revisão: se há uma frase completa de cada lado da vírgula, é preciso and/but/so/or/yet depois dela, ou um ponto e vírgula ou um ponto final no lugar dela.
No português do dia a dia, o gerúndio ou o “depois de + infinitivo” no começo da frase muitas vezes tem outro sujeito: “Entrando na sala, as luzes se apagaram”, “Depois de terminar o relatório, a impressora quebrou”
A gramática normativa já considera isso um deslize, mas na prática o inglês é bem mais rigoroso. As construções em -ing no começo da frase (“After finishing the report”, “Walking into the room”) têm um sujeito invisível, que precisa ser o sujeito da oração principal. A tradução literal dá “Walking into the room, the lights suddenly turned off”, como se as luzes tivessem entrado. Correto: “Walking into the room, I noticed the lights were off.” ou, com uma oração completa, “When I walked into the room, the lights went off.”
💡 “Não … nada / ninguém / nunca / em lugar nenhum” → not + anything / anybody / ever / anywhere. Uma negação só.
💡 Uma frase completa de cada lado da vírgula? Então é preciso and/but/so/or/yet, ou um ponto e vírgula ou ponto final no lugar da vírgula.
💡 Com uma construção em -ing no começo da frase, pergunte-se: quem faz a ação? Essa pessoa tem que vir logo depois da vírgula.
"Can you check this paragraph before I send it? Something feels off."
"You've got a comma splice here — 'the deadline moved, we adjusted the plan' needs a conjunction."
"Good catch. Anything else?"
"Just one more — this sentence starts with 'Reviewing the numbers,' but the subject right after it is 'the report,' not you, so it sounds like the report was reviewing itself."
Exercício 1 · Escolha a frase correta
Which is correct?
Exercício 2 · Escolha a frase completa
Which is a complete sentence, not a fragment?
Exercício 3 · Escolha a frase correta
Which is correct?
Exercício 4 · Escolha a frase correta
Which is correct?
Exercício 5 · Escolha a frase sem comma splice
Which avoids a comma splice?
Exercício 6 · Escolha a frase correta
Which is correct?
Exercício 7 · Escolha a frase completa
Which is a complete sentence?
Exercício 8 · Escolha a frase com estrutura paralela
Which keeps the list items parallel?
Exercício 9 · Corrija o dangling modifier
Correct the dangling modifier: After finishing the report, the printer broke.
Exercício 10 · Corrija a frase incompleta
Correct the sentence fragment by adding the main clause 'we decided to go ahead': Even though the plan was risky.
Exercício 11 · Classifique: fragment ou frase completa
0 / 6 classificadas
Exercício 12 · Armadilha típica: “Não sei nada”
Portuguese: "Não sei nada sobre isso." Which English translation is correct?
Cinco perguntas rápidas para ver o que você aprendeu.
Pergunta 1 / 5
Pontuação: 0/0
Which is correct?
Erros com substantivos contáveis e incontáveis
Advices, informations, furnitures, the news are, much people: os erros de contáveis e incontáveis mais comuns entre brasileiros, e much/many.
Erros comuns com pronomes
Between you and me, my brother and I, I relax sem myself: os erros de pronome mais comuns de brasileiros, do “eu e ele” aos verbos com “se”.
Erros comuns com -ing e infinitivo
Enjoy swimming, não enjoy to swim; look forward to seeing; interested in learning: quando o infinitivo do português vira -ing em inglês.
Erros comuns com preposições
Depend on (e não depend of), married to, listen to music, arrive at, discuss sem about: as preposições que mais confundem brasileiros em inglês.